Escolher os melhores jogadores portugueses de sempre é, por definição, um exercício de opinião. Não há tabela que resolva a discussão. O que há são factos — golos, títulos, internacionalizações, impacto — e é sobre esses factos que construímos a nossa escolha. Esta é a lista da Visão Desportiva. Discorde à vontade: é meio caminho para a conversa que interessa.
Como fizemos esta escolha
Pesámos quatro critérios: o que o jogador ganhou, o que produziu em campo (golos, assistências, jogos), o peso que teve na Seleção Nacional e a marca que deixou no futebol mundial. Privilegiámos carreiras inteiras em vez de épocas isoladas. E, sempre que os números divergem entre fontes, dizemo-lo em vez de escolher o que soa melhor.
Eusébio: a Pantera Negra

Nascido no bairro da Mafalala, em Moçambique, em 1942, Eusébio da Silva Ferreira é o jogador que colocou Portugal no mapa do futebol. Foi o melhor marcador do Mundial de 1966, com nove golos, levando uma Seleção estreante ao terceiro lugar — incluindo os quatro golos na remontada histórica frente à Coreia do Norte, quando Portugal perdia por 3-0.
Um ano antes, em 1965, tinha sido o primeiro português a conquistar a Bola de Ouro. Ao serviço do Benfica venceu onze campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal e a Taça dos Campeões Europeus de 1961/62. Ganhou sete Bolas de Prata — recorde nacional — e foi o primeiro futebolista a receber a Bota de Ouro europeia, em 1968, feito que repetiu em 1973.
Uma nota sobre os números: verá tallies diferentes para os golos de Eusébio pelo Benfica. A contagem restrita a jogos oficiais de competição aponta 473 golos em 440 jogos. Contagens mais abrangentes, que incluem particulares e torneios de exibição, chegam aos 727 golos em 715 jogos. Ambas estão corretas — contam coisas diferentes. Pela Seleção, o registo é consensual: 41 golos em 64 internacionalizações, marca que resistiu até Pauleta a superar em 2005.
Cristiano Ronaldo: o recordista

Saído da formação do Sporting e da Madeira, Cristiano Ronaldo construiu a carreira mais condecorada do futebol português. É o melhor marcador de sempre da Seleção Nacional e do futebol internacional masculino: 146 golos em 233 internacionalizações, segundo os dados da UEFA atualizados a 7 de julho de 2026. Nenhum jogador, de nenhum país, marcou mais.
Venceu cinco Bolas de Ouro (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017) e cinco Ligas dos Campeões. Com Portugal, ergueu o troféu que faltava ao país: o Euro 2016, em França. Juntou-lhe duas Ligas das Nações, em 2019 e 2025.
Nas fases finais, os registos falam por si: 14 golos em Campeonatos da Europa e 11 em Campeonatos do Mundo. No Mundial de 2026 tornou-se o primeiro jogador da história a marcar em seis fases finais de um Campeonato do Mundo.
Luís Figo

Extremo completo, capaz de jogar com os dois pés, Figo foi o rosto da Geração de Ouro. Formado em Alvalade, brilhou no Barcelona antes da transferência mais polémica do futebol espanhol, em 2000, para o Real Madrid. Conquistou a Bola de Ouro em 2000 e o prémio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA em 2001. Foi durante anos o jogador português com mais internacionalizações — recorde depois batido por Ronaldo.
Rui Costa
O Maestro. Um dos melhores número 10 que o futebol português produziu, Rui Costa fez a diferença pela visão de jogo e pelo passe, não pelo golo. Formado no Benfica, foi determinante na Fiorentina e no AC Milan, onde venceu a Liga dos Campeões em 2003. Regressou ao Benfica para fechar a carreira e ajudou a devolver ao clube o campeonato de 2004/05, ao fim de onze anos de espera.
Outros nomes incontornáveis
Uma lista de dez nomes deixa sempre gente de fora que merecia entrar. Estes são os que estiveram mais perto:
- Mário Coluna — o Monstro Sagrado. Capitão dos Magriços em 1966 e cérebro do Benfica bicampeão europeu.
- Fernando Gomes — o Bibota. Único português a vencer duas Botas de Ouro europeias, com 288 golos pelo FC Porto.
- Paulo Futre — talento puro. Campeão europeu pelo FC Porto em 1987, aos 21 anos.
- Vítor Baía — o guarda-redes mais titulado do futebol português, entre FC Porto e Barcelona.
- Deco — naturalizado, mas decisivo: Liga dos Campeões pelo FC Porto (2004) e pelo Barcelona (2006).
- Pauleta — recordista de golos pela Seleção antes de Ronaldo, com 47.
- Ricardo Carvalho e Pepe — dois dos melhores centrais europeus da sua geração.
- João Pinto, Chalana, Nani, João Moutinho, Bernardo Silva — cada um com argumentos sérios.
O XI histórico de Portugal, na nossa opinião
Um onze só com jogadores portugueses, num 4-3-3 clássico. É uma escolha nossa, não uma verdade oficial:
- Guarda-redes: Vítor Baía
- Defesa: Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Pepe, Nuno Mendes
- Meio-campo: Mário Coluna, Rui Costa, Bernardo Silva
- Ataque: Luís Figo, Eusébio, Cristiano Ronaldo
Perguntas frequentes
Quem é o melhor jogador português de sempre?
Não há resposta consensual. Cristiano Ronaldo tem os números e os títulos — é o melhor marcador de sempre do futebol internacional e venceu cinco Bolas de Ouro. Eusébio tem o impacto histórico: foi ele quem, em 1966, mostrou ao mundo que Portugal existia no futebol. A escolha depende do critério.
Quem é o melhor marcador de sempre da Seleção Nacional?
Cristiano Ronaldo, com 146 golos em 233 jogos (dados de julho de 2026). Antes dele, o recorde pertenceu a Pauleta (47) e, antes disso, a Eusébio (41).
Quantos portugueses venceram a Bola de Ouro?
Três: Eusébio (1965), Luís Figo (2000) e Cristiano Ronaldo (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017).
E na sua opinião?
Quem falta nesta lista? Quem não devia lá estar? Deixe a sua opinião nos comentários. Se quiser aprofundar, leia o nosso Guia Completo do Futebol Português, a história de como nasceu o futebol em Portugal e o retrato do futebol nacional e dos seus estádios.
Artigo atualizado em 11 de julho de 2026. Fontes dos dados: UEFA, Federação Portuguesa de Futebol, RTP Arquivos.






