Atualizado em 12 de julho de 2026. Antes de Cristiano Ronaldo, houve Eusébio. Nascido em Moçambique e feito lenda em Lisboa, Eusébio da Silva Ferreira é, para muitos, ainda hoje o maior futebolista que Portugal alguma vez produziu.
De Maputo à Luz
Eusébio nasceu a 25 de janeiro de 1942 no bairro de Mafalala, em Lourenço Marques (atual Maputo), então parte do império colonial português. Descoberto pelo olheiro do Benfica José Carlos Bauer, chegou a Lisboa em 1960 envolto em segredo: o clube chegou a escondê-lo temporariamente para o proteger do interesse do Sporting, que tinha uma ligação institucional aos clubes moçambicanos.
638 golos e uma era de ouro no Benfica
Ao serviço do Benfica durante 15 das suas 22 épocas como profissional, Eusébio marcou 638 golos, sendo até hoje o melhor marcador da história do clube. Nesse período, conquistou onze campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal e a Taça dos Campeões Europeus de 1961/62: o segundo título europeu seguido do Benfica, decisivo na consolidação da equipa como potência continental.
Bola de Ouro em 1965
Em 1965, Eusébio tornou-se o primeiro jogador português (e o primeiro jogador negro) a vencer a Bola de Ouro da France Football. Terminou ainda em segundo lugar na votação em 1962 e 1966, e foi o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus por três vezes (1965, 1966 e 1968), um domínio individual raro na competição.
O Mundial de 1966
Foi no Mundial de 1966, com os Magriços, que Eusébio atingiu o auge da fama internacional: nove golos em seis jogos, incluindo os quatro que isoladamente reverteram uma desvantagem de 3–0 frente à Coreia do Norte nos quartos de final. Terminou o torneio como melhor marcador, a “Bota de Ouro”, e ajudou Portugal a alcançar o terceiro lugar: ainda hoje a melhor participação da seleção em Mundiais.
O legado
Eusébio morreu a 5 de janeiro de 2014, em Lisboa. O Estádio da Luz tem hoje uma estátua sua junto à entrada, e o seu nome permanece sinónimo de uma era em que o futebol português, pela primeira vez, se impôs à escala mundial. Décadas depois, viria a ser Cristiano Ronaldo a herdar esse estatuto: para o percurso do capitão da seleção atual, veja o nosso guia completo do futebol português.






