
A noite de 26 de outubro teve um nome: Harry Kane. O avançado do Bayern Munique venceu a Bola de Ouro 2026 (Ballon d’Or, na designação original francesa), numa cerimónia que, pela primeira vez na história do prémio, saiu de Paris e se realizou em Londres. Portugal teve quatro jogadores entre os 30 nomeados ao prémio masculino, mas nenhum chegou ao top 10. Eis tudo o que aconteceu, categoria a categoria.
Harry Kane é o novo rei do futebol mundial
Kane venceu a primeira Bola de Ouro da carreira e tornou-se o quinto inglês a fazê-lo, depois de Stanley Matthews, Bobby Charlton, Kevin Keegan e Michael Owen, e o primeiro desde 2001. A época que o levou ao prémio foi avassaladora: 61 golos em 51 jogos pelo Bayern Munique, o título da Bundesliga, uma meia-final da Liga dos Campeões e um terceiro lugar no Mundial 2026 ao serviço de Inglaterra, depois de uma eliminação nas meias-finais. Superou Kylian Mbappé e Lamine Yamal na votação final, numa edição descrita pela imprensa como uma das mais equilibradas dos últimos anos, sem um favorito destacado à partida.
«Desde que cheguei ao Bayern melhorei como jogador, como pessoa, como líder. Representar-vos é uma honra, e é um privilégio trazer este prémio de volta ao Bayern.»
Harry Kane, na cerimónia da Bola de Ouro 2026
Os portugueses na corrida: Vitinha foi a grande surpresa
Quatro portugueses estiveram entre os 30 nomeados ao prémio masculino, três deles do Paris Saint-Germain, clube que mais jogadores colocou na lista: Vitinha, 14.º classificado, considerado pela imprensa a grande surpresa da votação; João Neves, 19.º; e Nuno Mendes, 23.º. Representando a Premier League, surge Bruno Fernandes, do Manchester United, em 27.º lugar. É um trio parisiense que já engrossa a lista de portugueses campeões europeus de clubes, ao lado de Fernandes, que continua a ser a face portuguesa mais visível na longa história de portugueses na liga inglesa. Nenhum, no entanto, chegou perto do top 10, confirmando que, por agora, a Seleção Nacional não tem um candidato ao prémio individual mais importante do futebol mundial.
Classificação completa do top 10 masculino
- 1.º Harry Kane (Bayern Munique, Inglaterra)
- 2.º Kylian Mbappé (Real Madrid, França)
- 3.º Lamine Yamal (Barcelona, Espanha)
- 4.º Rodri (Manchester City e Barcelona, Espanha)
- 5.º Lionel Messi (Inter Miami, Argentina)
- 6.º Khvicha Kvaratskhelia (Paris Saint-Germain, Geórgia)
- 7.º Ousmane Dembélé (Paris Saint-Germain, França)
- 8.º Erling Haaland (Manchester City, Noruega)
- 9.º Michael Olise (Bayern Munique, França)
- 10.º Fabián Ruiz (Paris Saint-Germain, Espanha)
Rodri surge associado a dois clubes porque mudou de Manchester City para o Barcelona a meio do período avaliado. Yamal venceu o Mundial 2026 e a Liga espanhola, sendo o melhor marcador do Barcelona; Mbappé não venceu nada de coletivo pelo Real Madrid mas foi o melhor marcador da Liga espanhola, da Liga dos Campeões e do Mundial; Olise, companheiro de Kane no Bayern, chegou às meias-finais do Mundial por França e liderou as assistências na Liga dos Campeões e no Mundial.
Alexia Putellas conquista a terceira Bola de Ouro feminina
No futebol feminino, Alexia Putellas venceu pela terceira vez na carreira, igualando o registo de Aitana Bonmatí como a jogadora mais premiada da história do troféu feminino. A médio do Barcelona superou a polaca Ewa Pajor (também do Barcelona), segunda classificada, e a jamaicana Khadija Shaw (Manchester City), terceira. Nenhuma portuguesa constou da lista de nomeadas.
Os restantes prémios da noite: Kopa, Yashin, Gerd Müller e mais
- Troféu Kopa (melhor jovem, masculino): Lamine Yamal (Barcelona), pela terceira vez consecutiva
- Troféu Kopa (melhor jovem, feminino): Vicky López (Barcelona)
- Troféu Yashin (melhor guarda-redes, masculino): Unai Simón (Athletic Bilbau), premiado após sete baliza-a-zero no Mundial 2026
- Troféu Yashin (melhor guarda-redes, feminino): Cata Coll (Barcelona)
- Troféu Gerd Müller (melhor marcador, masculino): Harry Kane (Bayern Munique)
- Troféu Gerd Müller (melhor marcadora, feminino): Charlyn Corral (Pachuca, México)
- Clube do Ano (masculino): Paris Saint-Germain
- Clube do Ano (feminino): Barcelona
- Treinador do Ano (masculino): Luis de la Fuente, selecionador de Espanha
- Treinadora do Ano (feminino): Pere Romeu (Barcelona)
- Prémio Sócrates (mérito humanitário): Bukayo Saka (Arsenal)
Porquê Londres, e não Paris?
Pela primeira vez em 70 anos de história, a gala saiu de Paris. A escolha de Londres, no London Palladium Theatre, foi uma homenagem a Stanley Matthews, o inglês que, em 1956, se tornou o primeiro vencedor de sempre da Bola de Ouro. A cerimónia, organizada pela revista francesa France Football, foi apresentada por Thierry Henry e Kate Scott.
Fica a fotografia do dia: nenhum português esteve perto do pódio em 2026, mas a presença de quatro nomeados, três deles titulares de um Paris Saint-Germain multicampeão, confirma que o futebol português continua representado no topo do jogo mundial. Para perceber a dimensão dessa tradição, vale a pena rever a nossa lista dos melhores jogadores portugueses de sempre, onde Cristiano Ronaldo continua a liderar com cinco Bolas de Ouro no currículo, ainda muito à frente de qualquer um dos nomeados de 2026.
Informação compilada a partir da cerimónia oficial e da cobertura do Observador.







