Tapete estendido em Alvalade, uns passos de dança ao som de Michael Jackson e a braçadeira do reforço mais recente do plantel de Rui Borges. Foi assim, esta sexta-feira, a apresentação oficial de Nestory Irankunda como jogador do Sporting. O extremo australiano, de 20 anos, chega do Watford e assina até 2031, com uma cláusula de rescisão fixada em 80 milhões de euros.
O negócio ficou fechado nos bastidores ao longo da semana, depois de Irankunda ter chegado a Lisboa na terça-feira à noite. Segundo apurou o Maisfutebol, o Sporting pagou 15 milhões de euros fixos ao Watford, mais três milhões em bónus ligados a objetivos desportivos.* Nem o clube leonino nem o emblema inglês confirmaram publicamente os valores exatos da operação.
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Quem é Nestory Irankunda?
Nascido a 9 de fevereiro de 2006 num campo de refugiados em Kigoma, na Tanzânia, Irankunda é filho de pais burundeses que fugiram da guerra civil no seu país. A família instalou-se na Austrália pouco depois, primeiro em Perth e mais tarde em Adelaide. É o quinto de sete irmãos, numa casa onde o desporto era assunto de conversa diária.
O talento apareceu cedo. Aos 15 anos, estreou-se pela equipa principal do Adelaide United. Depressa se tornou um dos nomes mais discutidos da A-League. Dezasseis golos e oito assistências abriram-lhe as portas da Europa.
Bayern, Grasshoppers e a redenção no Watford
Nem tudo correu de feição. O Bayern Munique investiu cerca de 3,5 milhões de euros para o contratar em 2024, mas Irankunda nunca chegou a estrear-se pela equipa principal, apesar de ter treinado ao lado de Harry Kane. O empréstimo ao Grasshoppers, na Suíça, também não trouxe minutos suficientes. Chegou a ponderar representar o Burundi ou a Tanzânia a nível internacional, tal se distanciou da seleção australiana.*
A saída para o Watford, na época passada, mudou o rumo da carreira. Foram 42 jogos, quatro golos e quatro assistências, números que devolveram confiança ao jogador e lugar na convocatória dos Socceroos para o Mundial2026.
O golo que o tornou histórico no Mundial2026
Frente à Turquia, na estreia da Austrália na fase final, Irankunda recebeu pela esquerda, acelerou sobre a defesa adversária e fez o 1-0 num triunfo por 2-0. Tornou-se, assim, no jogador mais jovem de sempre a marcar pela Austrália numa fase final de um Campeonato do Mundo. Correu até à bandeirola de canto e imitou o festejo de Tim Cahill, o maior ídolo da seleção australiana. «Tim Cahill é a minha maior inspiração. Se marcasse, queria festejar como ele», explicou depois do jogo.
Em declarações ao Record, já como jogador do Sporting, Irankunda não escondeu a ambição: «Vim para ganhar títulos e para jogar para grandes adeptos. Quero fazer história e não há melhor sítio para o fazer do que o Sporting.» Confessou ainda, à margem da apresentação, ser fã fervoroso de Michael Jackson, o autor da coreografia que animou a entrada em Alvalade.
O que Irankunda traz ao Sporting
É uma aposta com risco, mas com teto alto. Um extremo rápido, com finalização e um currículo que já inclui um golo em fase final de Mundial, chega a um plantel que vai disputar Liga dos Campeões e título nacional. Traz um perfil diferente do que Rui Borges já tinha à disposição: velocidade pura e capacidade de decidir em espaços curtos.
Para perceber a dimensão do que está em causa, basta olhar para o palmarés do Sporting, recheado de troféus que o clube quer continuar a somar. Quem quiser situar esta contratação no contexto mais amplo da época, pode consultar o guia completo do futebol português 2026/27, com tudo sobre a Liga Portugal e a Seleção Nacional.
Irankunda já fez o primeiro treino em Alcochete esta semana. Resta agora saber quando Rui Borges lhe vai dar os primeiros minutos de leão ao peito.
* Informação baseada no conhecimento disponível à data de publicação e ainda não confirmada oficialmente. Poderá ser atualizada à medida que surgirem novos desenvolvimentos.





