Cristiano Ronaldo anunciou esta semana o adeus à Seleção Nacional, pondo fim a uma carreira internacional de 23 anos, 234 jogos e 146 golos, ambos recordes mundiais do futebol de seleções. O avançado madeirense, de 41 anos, confirmou a decisão numa quinta-feira, através de um longo vídeo publicado no Instagram, horas antes de a federação divulgar as convocatórias para os últimos jogos da fase de grupos da Liga das Nações.
O vídeo de despedida
No vídeo, gravado num tom sóbrio e visivelmente emocionado, Ronaldo dirigiu-se diretamente aos adeptos portugueses: “Aos portugueses, chegou o momento de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar para estádios no mundo inteiro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração.”
Ao longo da publicação, recordou os momentos altos e baixos de mais de duas décadas ao serviço de Portugal e agradeceu aos adeptos pelo apoio ao longo de todo este percurso. O vídeo ultrapassou rapidamente os 30 milhões de gostos, com uma caixa de comentários a encher-se de mensagens de colegas, adversários e dirigentes do futebol mundial.
Como se chegou aqui: a saída do estágio e o braço de ferro com Jorge Jesus
O desfecho não surge isolado. No final de setembro, Ronaldo abandonou o estágio da Seleção na véspera do jogo frente à Dinamarca, depois de o treinador Jorge Jesus o deixar fora do onze no jogo anterior e lhe comunicar que também não contava com ele no seguinte. Essa saída valeu-lhe uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros aplicada pela FPF, ainda que Jesus tenha sempre garantido que as portas da Seleção continuavam abertas para o capitão. O último jogo de Ronaldo por Portugal ficou assim marcado pela vitória por 1-0 sobre o País de Gales, a 24 de setembro, em casa, sem que ninguém soubesse, na altura, que seria mesmo o último.
Os números de uma carreira irrepetível
Poucos avançados deixam para trás uma lista de recordes como esta. Ronaldo estreou-se pela Seleção a 20 de agosto de 2003, frente ao Cazaquistão, rendendo Luís Figo, e tornou-se, ao longo de 23 anos, o jogador mais internacionalizado (234 jogos) e o maior goleador (146 golos) da história do futebol de seleções masculino, superando nomes como Eusébio, que continua a deter o recorde de Portugal num só Mundial. Foi também o primeiro jogador a marcar em seis Campeonatos do Mundo diferentes, e leva ainda os recordes europeus de presenças (30 jogos) e de golos (14) em fases finais do Europeu. Ao nível de troféus, venceu o Euro 2016, em França, e duas edições da Liga das Nações, em 2019 e em 2025.
Uma despedida diferente da de Messi
Lionel Messi, o grande rival de Ronaldo nas últimas duas décadas, tinha-se despedido da seleção argentina cerca de um mês antes, com um jogo de homenagem agendado e uma festa preparada do início ao fim. Ronaldo escolheu o caminho inverso: o anúncio chegou sem aviso prévio, através das redes sociais, depois de o jogo frente ao País de Gales ter passado despercebido como o que acabaria por ser uma despedida. A Federação Portuguesa de Futebol garante, agora, que a homenagem ainda está para vir.
As reações: homenagem prometida pela FPF, elogios dentro e fora de portas
A FPF reagiu com uma nota de “profunda gratidão e imensa admiração” e garantiu que vai organizar uma homenagem “à altura da carreira” de Ronaldo, uma despedida que os adeptos e o país possam celebrar em conjunto. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, o Presidente da República, António José Seguro, e colegas de Seleção como Bruno Fernandes, Nani ou Diogo Dalot deixaram mensagens públicas de agradecimento ao longo do dia, tal como noticiou o Notícias ao Minuto. Nem todos os comentários foram só de celebração: o treinador português Ruben Amorim admitiu que “não foi a melhor forma” de terminar a carreira internacional, uma opinião partilhada por antigos responsáveis da federação.
O que fica a seguir
Bernardo Silva foi entretanto confirmado como o novo capitão da Seleção Nacional. Ronaldo, por seu lado, continua a jogar pelo Al-Nassr, onde persegue o milésimo golo da carreira (985 à data da despedida), e deverá terminar a época na Arábia Saudita antes de decidir o que vem a seguir fora de campo. A camisola 7 de Portugal, essa, já passou para as costas de Rafael Leão nos jogos mais recentes da Seleção.
Fica, de qualquer forma, o maior capítulo da história do futebol português: 23 anos, seis Mundiais e duas décadas a levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo.







