Ronaldo suspenso pela FPF mas volta a marcar pelo Al Nassr

Cristiano Ronaldo está suspenso preventivamente pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), depois de ter abandonado a concentração da Seleção Nacional antes do jogo com a Dinamarca, a 1 de outubro. Oito dias depois, na sexta-feira, o capitão voltou a mostrar o seu valor em campo: marcou pelo Al Nassr na vitória por 3-0 sobre o Al Diriyah e aproximou-se da fasquia simbólica dos mil golos na carreira.

O episódio junta duas histórias que, por agora, correm em paralelo: a da Seleção, que decide o futuro imediato de Ronaldo de camisola das quinas, e a do Al Nassr, onde o avançado continua a marcar como se a polémica não lhe tocasse.

Da crise com Jorge Jesus ao abandono da concentração

O imbróglio arrancou a 27 de setembro, em Oslo, quando Portugal venceu a Noruega por 2-1 na Liga das Nações e Ronaldo ficou no banco os 90 minutos. Segundo o próprio, Jorge Jesus tinha-lhe garantido 30 minutos de utilização na segunda parte e não cumpriu a promessa. Dias depois, já com o selecionador a explicar publicamente aos jornalistas que a decisão fazia parte de um plano de gestão física, também usado com Bruno Fernandes, Ronaldo abandonou o hotel onde a Seleção estava hospedada em Copenhaga, na véspera do jogo com a Dinamarca.

Portugal não precisou dele para vencer: bateu a Dinamarca por 4-2 já sem o capitão em campo, e repetiu o triunfo a 4 de outubro, no Estádio do Dragão, desta vez por 2-1 sobre a própria Noruega, com golos de João Cancelo e Gonçalo Ramos. Jorge Jesus, que assumiu o comando da Seleção em julho, depois da eliminação de Portugal no Mundial2026, tem evitado alimentar a polémica em público, repetindo que os critérios desportivos são iguais para todos os jogadores.

Ronaldo suspenso: o que diz o regulamento da FPF

De acordo com o Jornal de Notícias, o abandono voluntário da concentração enquadra-se no artigo 160.º, número 2, do Regulamento Disciplinar da FPF, que prevê suspensão preventiva para jogadores que se ausentem ou abandonem o estágio da Seleção sem autorização. A moldura penal prevista é de um a seis meses, além de uma multa entre 510 e 1020 euros, mas a decisão final cabe ao Conselho de Disciplina da federação, que ainda tem de confirmar se houve dolo por parte do jogador.

Na nota em que explicou a saída, Ronaldo não pediu contemplação: “Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante”, escreveu, segundo cita o Jornal de Notícias. Se a pena ficar pelo mínimo de um mês, Ronaldo ainda pode estar disponível para os jogos de novembro, frente à Dinamarca, em Braga, e ao País de Gales, em Cardiff; um castigo de seis meses tira-o também dos compromissos de março de 2027.

O golo 980 e o sinal (ambíguo) da Federação

Longe da polémica da Seleção, o calendário do Al Nassr não parou. Na sexta-feira, em Riade, a equipa orientada por Bruno Lage, outro português, recebeu o Al Diriyah para a jornada 8 da Liga Saudita e venceu por 3-0. Ronaldo abriu o marcador aos 23 minutos, a aproveitar um ressalto depois de um remate de Kingsley Coman defendido pelo guarda-redes adversário. Samu Costa e o próprio Coman fecharam a contagem. Pelas contas que a imprensa portuguesa usa para somar golos de clube e seleção, foi o 980.º da carreira sénior de Ronaldo, a vinte da fasquia redonda dos mil (o número exato varia consoante a fonte e o critério de contagem, à semelhança do que acontece com outros registos históricos do jogador).

Horas depois, a conta oficial da Seleção Nacional na rede social X assinalou o golo com uma saudação e as etiquetas da liga saudita e do clube, sem fazer o mesmo em relação ao golo de Samu Costa, também internacional português. O gesto levou o jornal A Bola a perguntar, na manchete, se as partes já teriam feito as pazes.* Para já, porém, não há qualquer confirmação oficial de uma aproximação entre Ronaldo e Jorge Jesus.

Um dos melhores de sempre, à espera de uma decisão

A espera não belisca o lugar de Ronaldo na história do futebol português: continua a ser, para a generalidade dos adeptos e especialistas, um dos melhores jogadores portugueses de sempre, com um currículo de títulos e golos que nenhum compatriota igualou. O contrato com o Al Nassr, que já foi analisado em detalhe neste espaço, garante-lhe competição regular na Arábia Saudita precisamente na altura em que o futuro na camisola das quinas fica em suspenso.

O que fica claro, por agora, é que as duas histórias seguem em paralelo: o avançado continua a marcar pelo clube ao ritmo a que sempre habituou os adeptos, enquanto a Seleção espera por uma decisão disciplinar que pode definir se Ronaldo volta a vestir a camisola das quinas já em novembro, ou só na primavera de 2027.


* Informação baseada no conhecimento disponível à data de publicação e ainda não confirmada oficialmente. Poderá ser atualizada à medida que surgirem novos desenvolvimentos.

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