Um cabeceamento sem qualquer oposição, a dez minutos do fim, chegou para decidir tudo. Tom Gaal apareceu isolado ao segundo poste, cabeceou para o fundo da baliza de Trubin e arrumou a eliminatória a favor do St. Gallen, que venceu o Benfica por 2-1 na primeira mão dos play-offs da Liga Europa. Marco Silva, estreado no banco encarnado, saiu da Suíça com o pior resultado possível para um primeiro exame.
Uma primeira parte sem identidade nenhuma
O Benfica entrou em campo com Miguel Figueiredo, de apenas 17 anos, titular no meio-campo pela primeira vez, depois da baixa de Leandro Barreiro. Lenglet e Kaminski, os dois reforços presentes no onze inicial, também se estrearam. Nada disto explicou, contudo, a falta de ligação entre sectores que a equipa mostrou durante quase todo o primeiro tempo. Bolas longas atiradas para a frente sem critério, e o trio ofensivo, com Rafa Silva, Sudakov e Kaminski, sem conseguir encadear duas jogadas seguidas.
O St. Gallen aproveitou. Aliou Balde, um dos jogadores mais ativos em campo, faturou aos 38 minutos depois de Alexander Bah perder a bola numa saída atabalhoada, e ainda podia ter feito o segundo golo minutos depois, mas Trubin evitou o pior. O Benfica só chegou ao empate em cima do intervalo, na única jogada com pés e cabeça de toda a primeira parte: Pavlidis lançou Rafa Silva para a área e o número 27 não perdoou.
Uma bola parada decide, tal como Marco Silva temia
A segunda parte não trouxe grande mudança de discurso. Barrenechea e Tiago Gouveia entraram para tentar dar outra dinâmica ao corredor esquerdo, e o português até ganhou alguma influência por ali, mas a instabilidade defensiva persistiu. Aos 80 minutos, um livre lateral cobrado por Daschner encontrou Tom Gaal completamente livre de marcação, e o central suíço cabeceou sem qualquer oposição para o triunfo do St. Gallen.
Um erro básico, sem desculpa possível.
Depois do jogo, Marco Silva não escondeu o desagrado. «Isto é o sinal de que há muita coisa a melhorar», resumiu o treinador, citado pelo Maisfutebol. Alexander Bah, envolvido no lance do primeiro golo, foi na mesma linha: «Temos de jogar melhor com bola.»

Quando é que o Benfica pode dar a volta à eliminatória?
A segunda mão joga-se para a semana, na Luz, e Marco Silva vai ter ali uma arma que não teve na Suíça. Jhon Durán, que já aterrou em Lisboa para reforçar o ataque encarnado, deve estar disponível para a decisão. O Benfica parte para o jogo em casa obrigado a reverter o resultado para seguir em frente na Liga Europa, mas pelo menos já não falta tanto tempo de trabalho ao novo treinador.
Este resultado surge poucos dias depois de Marco Silva ter fechado o primeiro mercado de transferências no comando técnico do Benfica, e mostra que construir uma equipa nova leva tempo, mesmo com o calendário a não dar tréguas. Para situar este arranque de época no contexto mais amplo da Liga Portugal e da Seleção Nacional, fica o guia completo do futebol português 2026/27, que a Visão Desportiva vai atualizando ao longo da época.





